Leia antes O Fim de Semana (Im)Perfeito – Parte I. Textos do nosso colaborador especial James Dater!
11:23, você abre o olho. Espelho no teto, você não está em casa. Os acontecimentos a seguir narrados se sucedem em frações de segundos, entre o primeiro e o segundo abrir de olhos:
Você tenta, sem muito sucesso, construir uma sinopse do dia anterior, mas tudo que lhe vem à cabeça são aquelas cenas desconexas numa velocidade estupenda e sem muita coerência ou cronologia, típica daqueles filmes de Hollywood….
Você consegue identificar as seguintes imagens: carnes – chopp – espetos – vodka – planos infalíveis – jantar – sua namorada (bom sinal) – vinho – esquenta (ihhh, cadê minha namorada?) – festa (ai, caralho) – wishky – Deusa – amigos solteiros – (puta merda, eu disse Deusa????)
Nesse momento, você abre o olho pela segunda vez, levanta a cabeça parecendo um calango e se depara com ELA.
Apreciando a cena, seu sentimento é similar àqueles atletas olímpicos, que passam anos esperado por um momento único como esse. A consagração de um trabalho árduo, persistente e, acima de tudo, vingativo. Sim, claro, vingativo. Depois de tantos anos admirando essa mulher, sem qualquer reciprocidade, você não mais a deseja como antes. Agora, você quer apenas colocá-la no seu devido lugar, isto é, na lista das “negas que me esnobaram e eu peguei só de sacanagem”.
Apesar de estar numa ressaca de proporções extraterrenas, daquelas em que neosaldina é sucrilhos, você invoca o sacrossanto princípio do calendário e se levanta. Isso, o princípio do calendário, isto é, a ressaca só tem direito de te derrubar no domingo.
Você liga seu celular e corre pro banheiro. De frente pro espelho, ri e faz caretas. Definitivamente, você ainda está bêbado. Uma long neck e a cachaça do dia anterior volta à tona. 33 chamadas não atendidas. Discriminemo-las. 11 de sua (ex?)namorada, 15 daquele casal que mora na sua casa, a quem você não deu nenhuma satisfação e 8 de seus amigos. Você retorna as ligações.
1ª ligação: “Vocês já estão aí? Certo, me dá meia hora, vou me arrumar… Calma, depois eu explico”
2ª ligação: “Tás em casa ainda? Massa, leva uma bermuda e uma sandália pra mim… Calma, depois eu explico”
3º ligação: “Vai lá? Ótimo, leva teu carregador… claro que é do celular, porra… Calma, depois eu explico”
4ª ligação: “Mãe, não dormi em casa (como se contasse uma novidade), desculpa não ter avisado, eu sei… eu sei… eu sei… é verdade… MAMÃE! Eu sei… eu sei… Calma, depois eu explico”.
Voltemos ao quarto.
Você toma um banho rápido, sai enrolando na toalha e lá está ela. Acordada, com o controle na mão e envolta no lençol, ela sorri pra você, um claro reconhecimento ao esforço da noite anterior. Ela se mostra afável, disposta a prolongar aquele momento mágico, ficar deitada ali conversando, rindo. Ela busca te conhecer melhor, tuas vontades, teus gostos. Ela é melhor que o esperado, sua ternura encanta.
Visivelmente comovido, você abre seu coração: “vou pedir a conta, você quer algo do frigobar?”
No carro, a quinta ligação. Numa tentativa ridícula de disfarçar o real assunto, você começa: “Oi, saí daqui agora. Que horas é a reunião? Certo, devo chegar aí em 20 minutos, no máximo… não comecem antes de mim, tenho ponderações a fazer que muito vos interessam… eu sei… eu sei… eu sei… Calma, depois eu explico”.
No caminho, você troca duas ou três palavras com ela, procurando fingir um interesse inexistente acerca de suas vontades, desejos. Ao chegar em frente à casa dela, você se despede: “adorei ter te encontrado, a gente se fala durante a semana…” Ela, não parecendo incomodada com a repentina dispensa, responde: “também adorei nossa noite, Fábio…”
Pausa.
Um pouco mais de pausa.
Você não se chama Fábio, seu pai não se chama Fábio, muito menos seu irmão. Você nunca trabalhou ou estudou com um Fábio. Você não tem amigo Fábio. Sejamos direto, você nunca apertou a mão de um cara chamado Fábio.
Nesse momento, surge uma dúvida cruel: ela sabe, de fato, quem eu sou e apenas errou meu nome, ou ela pensa que eu sou Fábio?
Você pensa rapidamente e conclui que não vale a pena esclarecer o mico cometido. Não é um equívoco desses que mudará seu conceito sobre a pessoa afável e carinhosa que ela revelou ser. Afinal de contas, errar é humano e você quer comê-la novamente.
Ela desce do carro. Após esperar ela entrar no prédio, você para no posto de gasolina logo à frente. Entra na loja de conveniência descalço, de cabelo molhado, mas com cara de ontem. Pega uma long neck, deixa 5 reais no balcão, sem perguntar o preço, e volta para o carro.
Você coloca os óculos escuros que estavam no porta-luvas, escolhe a melhor música do CD que está tocando e dá o primeiro gole na cerveja. Nesse exato momento, você constata: “Deus existe, é brasileiro e gosta muito de mim”. Voltemos à programação.
Seus amigos já estão todos na marina. Só falta você, que vai embalado não só pela atuação das últimas horas, como pela informação de que “vai um time de nega eeeeeextra”.
Você acha engraçado. Passeio de barco tem suas peculiaridades. Mulher não anda de barco, quem anda é “nega”. Entretanto, não vai uma turma de negas, é um time. Voltemos à marina.
Vendo que você está com a roupa de ontem, seus amigos dão início a uma saraivada de perguntas, feitas todas com uma mistura de sorriso e curiosidade no rosto, iniciada pela conhecida indagação: “tu tava onde?”
Sentindo-se numa entrevista coletiva, você desconversa, abre sua segunda long neck e pensa consigo mesmo: “Não preciso expor a pessoa envolvida. Tendo namorada, soaria ridículo e infantil da minha parte narrar os últimos acontecimentos. Até porque, se uma das negas do time escuta, eu não pego ninguém nesse barco.” Voltemos ao barco, aliás, embarquemos.
Todos a bordo, som na caixa, cada tripulante com sua respectiva bebida em mãos e você parece escutar um tiro de largada, seguida por uma voz, dizendo: “Tá valendo!”. Começam as paqueras, as olhadas, os comentários maldosos. É o estouro da boiada.
Saída de barco é assim mesmo, não tem jeito, principalmente quando o “time de nega” é novo. É como corrida de kart, ninguém sabe o que corre mais, mas todo mundo vai atrás do mais bonitinho.
Você está on fire. Sentindo-se bem, nada pode lhe deter. Mas, apesar de tudo, você tem consciência do erro que cometeu. Tem noção de tudo que fez, ainda que voluntariamente anestesiado pela bebida. Você evita pensar nas ligações não atendias de sua namorada, se furta de ver o mal que a provocou. Lá dentro, você não gosta de suas atitudes, sabe que é resultado de um comportamento infant… Pimba! Você pegou umas das negas antes mesmo de chegar no destino…
Vento no rosto, outra nega em menos de 24 horas, você já migrou para o wishky. Os sentimentos descritos no parágrafo anterior se distanciam junto com sua lucidez e discernimento. Passeio de barco é fantástico!
O passeio transcorre dentro da normalidade. Excesso de bebida, música alta, pegação e vocês já estão de volta à marina. Entrando nos carros, todos já deixam o próximo passo certo: esquenta no japonês que hoje é dia de boate.
A essa altura do campeonato você tem consciência, se parar para pensar… não, não, não, melhor nem pensar em pensar nisso.
São 20:23, você chega em casa. Sua mãe, que não lhe vê há quase 24 horas, se vira e pergunta, com ar de calma, incompatível com sua ausência injustificada na madrugada de ontem, aliás, de hoje, porra, você entendeu: “desse jeito, imagino que você não vai para o casamento”… (nesse momento, favor utilizar de fértil imaginação, para desenhar seu estado: poucas horas dormidas, bêbado novamente, com a roupa dos outros, queimado do sol, sem ter feito a barba… Tom Hanks , naquele filme que conversa com a bola de vôlei, teria pena de você…
Você acusa o golpe. Não bastasse a sucessão de atos infantis e desleais, você esqueceu o casamento de um grande amigo. Sob o manto da farra, dos “velhos e bons tempos”, da visão romântica da putaria, você se tornou outra pessoa.
Ao entrar no quarto, você se depara com o terno separado em cima da cama, cinto, sapato, gravata. Seu coração aperta, ainda há tempo de prestigiar seu amigo-noivo.
Banho frio demorado, barba feita e cabelo penteado. Você coloca o terno. Olha-se no espelho, já não faz mais caretas, nem ri.
No carro, pensativo, você sente falta das chamadas não atendidas. Sem elas, é como se você tivesse sem apoio, em queda livre. Passava uma certa segurança ver o número dela te ligando. Agora, você não tem mais isso, nem chamada não atendida, nem segurança.
Você se lembra de ter combinado com ela para ir ao casamento. Por não ter muita intimidade com o casal de noivos, você não a verá na festa.
To be continued…
jesussss!!!! na moral, esse james dater ai é mto fouda! essa série ta ficando melhor do que os “eu e ela”!
aew, mto bom!
Comentário por zdnan — 26/05/2009 @ 11:42
Rapaz..chicó..eu esqueci de te dizer! eu tava com a nega primeiro, tu pegasse o resto!uheuheuheuheuh
amigo Fábio!=D
Comentário por Fábio Medeiros — 26/05/2009 @ 11:46
Chicóóó…to viciada nesse teu blog!!! Muitos bons os textos!!! Beijos
Comentário por Paula Felix — 26/05/2009 @ 12:03
ta valendo a pena esperar com tanta curiosidade!!!
Comentário por Lorena — 26/05/2009 @ 12:20
Que texto do caralho!! Parabéns!!!! Muito fodaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!
Meu irmão.. barco, marina, cara com namorada.. eu acho que conheço esse James Dater hein! hahahahahahahahahaha
Comentário por Jimbow — 26/05/2009 @ 13:23
pqp….to me vendo…
Comentário por E.Q. — 26/05/2009 @ 14:41
ahhh chico!
mto bom o texto.. super empolgante! Só não gostei novamente do “To be continued…” hehehe
posta logo a continuação, tá?
Comentário por Raquel S. — 26/05/2009 @ 14:57
hahahahahahaha
de novo?!
curiosaaaa!
mtu bom o texto!
bjos
Comentário por ana clara — 26/05/2009 @ 21:25
mt bom auhauhau
só kero ver o fimm!!!
abc
Comentário por moreira — 26/05/2009 @ 23:10
Só faltou um “Previously on O Homem Errado …” !!!
Show de bola, chicolino !!!
Abraços!
Comentário por Vital — 26/05/2009 @ 23:28
Como assim ele ainda não falou com a (ex)namorada?? Esses homens…
Muito bom o texto!!!
Comentário por JoY — 27/05/2009 @ 21:12
carambaaaaaaaaaaa muito bom!!!
Querooo mais!! Esse garoto é um filho da puta! Mas estou adorando!! ahahahaha
Comentário por Ju — 28/05/2009 @ 16:16
Esse “to be continued” eh pra fuder ne!
auheuaehae
Comentário por R haeckel — 29/05/2009 @ 15:01
Fraco esse Dater, eu faria sem acabar o namoro!
Comentário por Barrozo — 31/05/2009 @ 20:46
INfelizmente “deu pena”:
“No carro, pensativo, você sente falta das chamadas não atendidas. Sem elas, é como se você tivesse sem apoio, em queda livre. Passava uma certa segurança ver o número dela te ligando. Agora, você não tem mais isso, nem chamada não atendida, nem segurança.
Você se lembra de ter combinado com ela para ir ao casamento. Por não ter muita intimidade com o casal de noivos, você não a verá na festa.”
Comentário por Natasha Alves — 29/04/2010 @ 14:48