O Homem Errado

23/07/2009

Audio Trip

Arquivado em: Audio Trip — Chico Freitas @ 13:42

Essa semana a Audio Trip convida Igor Schwambach para compartilhar conosco seu gosto musical.

Ele mesmo descreve como selecionou e como dispôs as músicas para nós:

“Diferente das outras audiotrips (sem querer desmerecer-las), vocês vão notar que eu não foquei só em uma música, mas sim no CD como um todo. Fiz isso pois acho que a música pode ser melhor compreendida quando faz parte do todo, e não ela por ela mesmo. Botei também uns vídeos das bandas tocando ao vivo (e não os clipes), porque acho que dá pra captar melhor a vibe dos caras. Como sei que nem todo mundo tem tempo, e saco, pra ouvir um CD todo, botei um asterisco (*) do lado das tracks (sem querer desprezar as outras. Claro!) como sugestão do que vocês devem escutar.  Deixo com vocês meu Twitter e  Orkut para quem quiser trocar alguma idéia. Valeu, galerinha!”

Twitter: http://twitter.com/IgorSw

Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?rl=ls&uid=10866575123178576781

Para curtir a Audio Trip do Igor, clique na imagem abaixo:

audio trip V

21/07/2009

Cromossomo Y

Arquivado em: Contribuições Especiais — Chico Freitas @ 00:36

Esse texto é de contribuição especial de uma carioca, leitora assídua do Blog, Taíssa Toledo.

Também quer ver seu texto publicado aqui no blog? Envie para mail.ohomemerrado@gmail.com.

Curtam!

***

A gente reclama, fala que nenhum presta , que no final, mesmo os mais comportadinhos, sempre pensam na mesma coisa. Mas o que a gente nunca quer é assumir a nossa culpa. Sim, nós mulheres somos completamente culpadas pelo comportamento masculino atual.
Se eles são uns cachorrões ordinários sem coração que vivem pensando estratégicamente em como alcançar o que temos entre as pernas, a culpa é unicamente nossa, afinal, o comportamento deles depende do nosso e eu não poderia dizer que me orgulho das atitudes de certas companheiras do meu gênero.

Existem dois tipos de situações clássicas:

a) O cara é super simpático, fofo, chega pedindo seu telefone, te chama pra sair, ir num barzinho, pegar um cinema ou simplesmente vocês começam a ficar por nenhum motivo em especial e acabam criando uma mini-ligação, um casinho. Esse é o chamado peguete fixo, step. E o que acontece com ele quando chega na famosa hora do “vai ou racha”? Se ela não ta apaixonada, ou ela vai ser má o suficiente pra fazer com que ele queira namorar, só porque ela não tem nada de mais interessante pra fazer e isso a conforta; ou então, ela fica enjoada com tanta atenção e carinho e joga ele pra escanteio.
O cara apenas pensa, “onde foi que eu errei? O que eu fiz que não a agradou?”
conclusão: ele vira mais um putão!

b) O cara chega chegando, cheio de intimidade que não tem, é ousado e sabe como falar. Após conquistar a presa do momento, ele simplesmente não sabe o que fazer e larga. Pra que tentar com a mesma vítima o passo número 2 se ele pode conseguir o passo número 1 com tantas outras sendo muito mais divertido? Esse é o famoso canalha, arrebatador de corações.
E como a menina fica depois disso? Apaixonada, simplesmente porque ele a esnobou, não se importou e não deu valor.
conclusão: ele é um putão!

Realmente, somos contraditórias, talvez seja natureza. Vai entender…
Afinal, quem quer um putão?

15/07/2009

A Regininha

Arquivado em: Contos Errados — Chico Freitas @ 01:46

-          E depois não me venha pedir para voltar! Seu cachorro!

Deram-se as costas, como se fossem os antigos desafios de faroeste, e prometeram pelo céu e pela terra que nunca mais iriam se falar.

Ela foi pra casa, chorosa, e se afundou em dois potes de sorvete Kibon. Um de creme e outro de chocolate, e pegando uma colher de cada, até o fim, adormeceu.

Ele pegou o celular e ligou para todos os amigos solteiros, anunciando sua volta ao time. Euforia geral, a sensação legitima de quem recuperou mais um soldado, no meio de uma trincheira de uma guerra qualquer. Ele definitivamente não adormeceu.

Ela chorou por mais uma semana, principalmente quando que soube que ele tinha ficado com a Regininha (ah, a Regininha, sempre existe uma Regininha!)*, que ela tanto odiava.

A Regininha era da faculdade dele. Ela nunca tinha ido com a cara da danada da Regininha, mas ele sempre jurava que eram apenas amigos, e ela ficava emputecida, pois nada podia fazer.

Ia rolar um reencontro de amigos do tempo do colégio, fazia cinco anos que eles tinham se formado (ele e ela tinham estudado juntos desde a 7ª série e namoravam desde a 8ª, formavam aquele casal que todo mundo tinha certeza que iriam casar, feitos um para o outro).

Decidiram que a festa de reencontro seria à fantasia, pra dificultar os reconhecimentos e a festa ficar mais interativa, apesar de que todos estavam muito mudados desde a época de colégio. E sejamos sinceros, todo mundo adora festa à fantasia!

Ele decidiu que iria de “V de Vingança”. Ela pegou emprestada de uma amiga a “Mulher-Gato”.  Ambas as fantasias mascaradas, propositalmente, no maior estilo “quem deve, teme”. E que seja posto em evidencia que não se falavam desde a cena digna de faroeste.

O fato é que eles poderiam até subir no mesmo elevador e não se reconheceriam. Não que isso tenha acontecido.

Ela chegou mais cedo, aflita, observou bem o ambiente pra depois concluir que tudo estava em ordem. Reencontrou amigas, deu a noticia arrasadora, para espanto de todas. Mas mentiu, disse que já estava bem demais, pronta pra outra, que a vida não para e muitas outras coisas mais.

Ele estava em outra festa, com a Regininha. E quando a Regininha perguntava como estava o relacionamento com a ex, ele definia com segurança: “saudavelmente hipócrita” e depois completava, deixando bem claro, “Regininha, você é muito melhor do que ela… em tudo!”.

Deixou a Regininha em casa e foi para a festa reencontrar ex (colegas e namorada). A cada semáforo ele encaixava mais uma parte da sua fantasia, desajeitado, e por fim, a máscara.

Chegando lá, já tinha passado da meia noite.  Todo tipo de princesa da Disney (branca de neve, a adormecida, a bela, Ariel, etc)  já estavam parecendo a Cinderela depois das doze badaladas. A quantidade de garrafas vazias eram desproporcionais à quantidade de pessoas no ambiente e ele que também já não estava sóbrio há tempos, pegou uma dose de uísque.

Ele tentou dar uma sacada geral no ambiente. Mas fazia tempo que não via aquela turma e com todos fantasiados era missão impossível reconhecer alguém, então decidiu que iria re-conhecer quem lhe apetecia.

Integrou-se na festa com facilidade, e encostado num canto da parede, não conseguia tirar os olhos da mulher-gato, que fazendo juz à fantasia dançava de forma fenomenal.

Ela já estava bêbada demais e dançava como se não tivesse ninguém ao seu redor, inerente a qualquer coisa que estivesse acontecendo. Entre Feras, Lobos maus e todo tipo de fantasia, nada chegava até ela.

Ele tinha certeza que aquela mulher dentro daquela roupa de couro brilhante não tinha estudado com eles. Ele a teria notado, obviamente. Deveria ser convida de algumas das meninas ou na pior das hipóteses namorada de alguém.

Resolveu que ela seria dele. Não demorou muito para ter convicção de que ela era solteira e foi buscar o que deveria ser seu.

Ela, que nunca conseguia segurar o riso diante de cantadas baratas, parou de dançar pra rir da cara dele quando ele chegou com “essa gata mia?”. De alguma forma, provavelmente culpa do álcool, ela decidiu que gostava de homens que a faziam rir e ao invés de responder, apenas lhe deu um beijo.

Ele ficou louco com aquilo tudo. Sua “gata” além de miar, mordia, lambia e arranhava.

Eles simplesmente não conversavam, não paravam de se beijar.  E quando a carona dela a puxou pra ir embora, ela o fez prometer que se veriam no dia seguinte. Ele concordou e pediu seu numero, ela deu e logo foi embora.

Então ele ficou parado, cerca de 3 minutos, sem acreditar. 6782-9988? Como assim? Ela errou algum número, com certeza. Não podia ser. Chegou a rir, porque claro que não podia ser ela. Sem sombras de dúvidas ela errou, ou foi alguma ironia. Achou chato já que não poderia encontrar com a mulher-gato no outro dia, não com um número errado. Logo ela que ele achou tão melhor que a Regininha.

*Frase de Luís Fernando Veríssimo em “As Comédias da Vida Privada”.

13/07/2009

Curtas

Arquivado em: A Mulher Certa — Maria Carolina Ferraz @ 21:39

Prendado

“Pode me cozinhar
Pintar e bordar
À vontade

Só deixe avisado
quando você cansar
de brincar de dona de casa”

***

Prazer de comer bem

“Cozinhe
tempere
jogue pimenta
e sal à gosto

mas, depois de comer
não venha me dizer
que o gás acabou
e me negar fogo”

08/07/2009

Programada

Arquivado em: Contos Errados — Chico Freitas @ 14:19
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A Ana era uma mulher decidida. Uma mulher de objetivos, de metas, de planos e projetos. Completamente programada para tudo. Tão programada que sempre faltava espaço no seu dia pra qualquer tipo de surpresa.

- Vem pra cá, meu amor… A cama e mais umas coisinhas tão te esperando.

- Eu vou, mas veja bem, são 16:15, você tem que gozar até às 16:35, que às 16:40 eu preciso entrar no banho, daí às 17h quero estar pronta para encontrar a Lucinha no shopping às 17:30h.

- Mas o shopping é do outro lado da rua.

- Sempre temos que ter uma margem de erro, meu bem. Margens de erro. Aprenda isso pra sua vida.

Ela era assim. Eu não me incomodava, porque se tentasse argumentar, ela vinha com aquele papo que eu era muito novo pra entender tudo aquilo, que eu ainda não tinha responsabilidades e sei la mais o que, e isso me incomodava mais do que as suas programações, então ficava calado.

Minha vida era tranqüila. Passava a semana na casa dos meus pais e nos finais de semana ficava com a Ana. Mesmo quando ela trabalhava aos sábados.

E foi num desses sábados que, enquanto ela tomava seu banho bem programado, que eu peguei seu blackberry à procura de qualquer joguinho.  Como uma criança apertando botões sem saber o que ta fazendo, acabei tomando conhecimento dos seus horários e locais das reuniões do dia, sem querer, juro.

Ela saiu do banho, comeu alguma coisa e foi trabalhar, tudo conforme os planos.

Acontece que desde a quinta feira a Rita (que morava à duas quadras da Ana) me ligava copiosamente. E quando Ana bateu a porta, de posse dos conhecimentos que tinha acabado de adquirir, cedi aos pedidos da Rita:

-Pode vir.

- Ela não está em casa?

- Certo como a programação da TV a cabo, nada dela até às 17h.

Rita chegou, sem pressa. Eram 13h e o blackberry da Ana, que não é bom em guardar segredos, me contou que ela só voltaria às 17:30h.

Estávamos no segundo coito e no final da primeira garrafa de vinho quando a Ana chegou, nos surpreendendo. Ela me olhou com aquela cara e não falou nada, como se esperasse que eu dissesse algo primeiro, algo do tipo “não é nada disso que você está pensando”. Mas não falei, evitando o clichê. Enchi meu pulmão e falei com uma tranqüilidade assustadora:

- Ana, o que você faz aqui?

- Esta é a MINHA casa.

- E a reunião com o Wal Mart?

- Cancelada.

- Mas a reunião da Odebrecht duraria ao menos duas horas!

- Durou menos. Calculei mal a margem de erro.

- E a Votorantim? Hein? Hein? O que aconteceu com a Votorantim?

- Ai meu deus! A Votorantim!

- Isso, corra, corra que dá tempo! Lembre-se da margem de erro!

E ficou por isso mesmo. Nunca mais se tocou no assunto. Algumas amigas da Ana me falaram que ela tomou a culpa pra si, porque não seguiu sua agenda (“gente, a Votorantim! Como pude simplesmente esquecer a Votorantim?”), mas que um dia vai me pegar com a mão na massa e tudo estará acabado. Só que aquela não contava, não um flagra fora dos planos. Mas que um dia… ah, um dia eu ia ver só!

Top Blog

Arquivado em: Teorias — Chico Freitas @ 00:43

Para dar um retorno a todos que ja votaram no blog, venho informar que ontem recebi um email dizendo que “ohomemerrado.com.br” está entre os 100 mais votados do prêmio! Não divulgaram a classificação, mas já é muito bom saber que estamos entre os 100!

Continuem votando! Basta clicar no banner no canto superior direito e seguir as instruções!

Obrigado a todos pelo prestígio!

05/07/2009

Velhos Tempos

Arquivado em: Os Amores de Amando — Murilo Gun @ 23:22

- Amaaando!
- Opa…
- Tudo bem? Não tá lembrada de mim?
- Humm…
- Fernanda, do colégio.
- Ahhh Fernanda, poxa, quanto tempo, hein?
- Pois é, acho que faz uns 10 anos né
- E aí, como você está?
- Estou ótima, e você?
- Estou bem. Você está tão diferente. Quase que eu não lhe reconheço.
- Pois é, mudei um pouco. Estou com uns quilinhos a mais.
- Acontece, todo mundo muda com o tempo.

A Fernanda foi o meu grande amor durante os anos do colégio. Ela tinha um rostinho de bebê, cabelos pretos longos e um corpinho escultural. Mas agora estava irreconhecível: pele estragada, cabelos loiros pintados com água oxigenada e com muuuitos quilinhos a mais.

É claro que não pude perder a oportunidade de aproveitar a má fase dela para realizar o meu antigo desejo colegial.

Na nossa conversa pós-coital, confessei:

- Você sabia que eu sempre tive o maior tesão por você?
- Sério?
- Era. Eu sempre ia lá na piscina do colégio só para te ver. Até hoje me lembro daquele seu maiô azul marinho e aquela toquinha.
- Piscina?
- É, nos treinos do time de natação
- Do que você está falando?
- O time de natação que você…
- Eu nunca participei de nenhum time de natação, Amando. Eu mal sei nadar.
- Peraí.. você não é a Fernanda que estudou comigo na 8a série?
- Está louco, Amando?

Poxa vida, transei com a pessoa errada!

02/07/2009

Neverland

Arquivado em: A Mulher Certa — Maria Carolina Ferraz @ 14:18

Eu não corri de você.

Apenas me refugiei num lugar onde seu cheiro jamais vai alcançar. Aqui, eu não sinto sua falta. Mesmo fazendo esforço, não consigo lembrar dos seus beijos, sorrisos e nem da sua voz. Não sei mais dizer se você tem cicatrizes ou sinais no rosto. Tampouco se foi sua inteligência, doçura ou jeito que me seduziu.

Sua imagem se reduziu a um vulto cinza e embassado.

Onde eu me encontro, você é apenas ilusão. Algo que não existiu de fato, só em pensamento. E hoje, esses pensamentos sequer existem mais.

E, mesmo que um dia eu sinta necessidade de preencher algum vazio e queira lembrar tudo que representa você, vai ser impossível. Pois eu não sei o caminho de volta.

Não perca tempo tentando me achar. Não acho que você seja capaz de encontrar.

Eu fugi para a realidade, meu bem.

**blog pessoal: www.aconversaeessa.blogspot.com

30/06/2009

Carnatal – Por James Dater

Arquivado em: Contos Errados — Chico Freitas @ 14:13
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Quando escrevi O Fim de semana (im)perfeito deixei claro aos membros desse estimado blog que, apesar de leitor assíduo, não me converteria em colaborador.

Expus, que em virtude dos fatos narrados serem dotados, em sua grande maioria, de veracidade, eu não passava, como de fato não passo, de um mero contador de histórias, desprovido da capacidade criativa característica dos textos deste sítio eletrônico.

Mas confesso que gostei da experiência. Buscando uma forma de voltar ao blog, cheguei à seguinte conclusão, que não me impunha tanta criatividade, apenas memória.

Resolvi passar a relatar histórias, que, muito embora não tenham acontecido da exata forma narrada, guardam franca similitude com a versão verdadeira.

Pondo uma moldura diversa daquela em que os fatos realmente se sucederam, pretendo preservar outros personagens que, envolvidos na narrativa, não gostariam, por motivos óbvios, de ter sua identidade revelada.

Sendo assim, volto a destacar nesse preâmbulo que narrarei uma sucessão de fatos que todo homem já viveu, viverá, ou deveria ter vivido, formada por fatos verdadeiros – de credibilidade duvidosa – e inverídicos – de flagrante veracidade.

Carnatal é como sexo. Quando é ruim, é bom, e quando é bom, é bom pra caralho.

Dezembro, sexta-feira, duas e pouco da tarde (calma, não é aquela outra história), você desce do táxi, entra na fila e, ao ser indagado por uma mulher demasiadamente maquiada e de sorriso falso, responde: “Natal”. E lá se foi sua mala…

Carnaval fora de época exige fôlego, raça, e, claro, dinheiro trocado. Advertido desses requisitos, no trajeto para o aeroporto, você passou no banco para sacar dinheiro. Ao pedir o valor pretendido, a caixa abre aquela gaveta com dinheiro e você avista aqueles bolinhos amarrados, recém chegados do Banco Central. A coisa mais linda do mundo.

Achando que estava diante de uma verdadeira fortuna, você pergunta: “Quanto tem aí?”, a caixa responde: “Trezentos reais”. Possuído pelo espírito de Bill Gates, você, como se estivesse adquirindo o mundo, diz: “Me veja tudo.”

Quisera Tio Patinhas ter tanto VOLUME de dinheiro. Em termos comparativos, o bolo dos R$ 300, em nota de R$1, tinha a altura de um copo americano.  Esse dado, aparentemente inútil, terá grande valia ao final deste conto. Você entenderá. Voltemos ao aeroporto.

Sua alegria é indisfarçável, check in feito, chopp gelado e amigos bons de farra. Você chega a pensar: tem algo errado, está tudo saindo como planejado… Se o avião não cair, meu Carnatal promete… Afinal de contas, se tudo der certo, dá merda no final…

 

Parênteses

 

(Poucos momentos são tão sublimes quanto um chopp à espera de um vôo, para farra, claro. Naquele momento, você traça as estratégias, as resenhas, as metas e, já que os planos são seus, o resultado. É perfeito.)

Tendo em vista as constantes visitas àquela cidade, você criou laços fraternais e, eventualmente, amorosos, esses últimos desfeitos sempre que se formam outros. Darwin estava certo, é a evolução natural das espécies.

Face às amizades construídas, você foi convidado por Dino, nome evidentemente fictício, para se hospedar na casa dele. Inveterado pela farra, Dino é uma das figuras mais simpáticas e desmanteladas que o Rio Grande do Norte já viu. Se isso é bom, no Carnatal é ainda melhor.

Após os trâmites normais, chegar em casa, encostar a mala, começar a beber e repassar as metas estabelecidas, é hora de ir para o bololô, o bundalelê, o quem-me-quer, isso, a putaria.

No primeiro dia, você opta pelo camarote que, segundo dizem, “dá mulher, não tem empurra-empurra e, quando o bloco termina, as negas vão tudo pra lá”. Você pensa: é como usar uma rede no rio de correnteza forte, basta ficar parado, que as piranhas param na sua. Gostei. Vamos ao camarote.

Apesar de não ser um especialista, você sabe que o primeiro dia de micareta é de suma importância para o alcance daquelas metas pré-estabelecidas.

“O primeiro gol é sempre um tiro de longe”, já dizia Dino. Você nunca entendeu direito o que isso queria dizer, deve ser um daqueles ditados que ninguém se atreve a explicar e cada um tem uma idéia particular do que significa, tipo “Sapato alto, areia fofa, adeus velocidade!”.

Entrando no camarote em horário estratégico, você sabe que os minutos iniciais serão decisivos para o sucesso do personagem interpretado. Você passa a imagem de um cara tranqüilo, fazendo um ar de quem está ali sem qualquer expectativa, tipo “vim aqui só dar uma passada, pois tenho que salvar o mundo amanhã de manhã”.

Passados os blocos, de qualidade sonora deprimente, o camarote bomba, as negas que pularam, de fato, entram no camarote. As que lá já estavam, permanecem. Seu personagem já não é mais o mesmo e você desce para o subsolo do camarote, onde uma boate congrega todos os foliões.

Chegando lá você estabelece seu território e liga o radar. Diante da escuridão, você opta por somente investir nas mulheres a menos de um metro e meio de distância. Aumentar esse raio de atuação seria contar com Deus e Santo Antônio e, sejamos francos, eles não estavam naquele inferninho.

Dentre as guerreiras ali localizadas, você nota uma com comportamento diverso das demais. Ela não grita, não abraça as outras amigas, não está completamente suada, não está aparentemente bêbada, não está com o short da irmã mais nova e não está com cara de um leopardo em busca de sua presa. Em suma, ela não é daquele mundo.

Você fica a encarando até cruzar um olhar. Os olhares se cruzam. Ela demora o tempo suficiente para você não se achar um qualquer. Dose renovada, você vai até ela e diz: “Oi, além de tímido, eu não sou muito desse negócio de micareta, então queria te fazer uma proposta…” Ela, rindo, responde: “E qual seria?” E você continua: “A gente podia começar isso aqui pelo fim…” Ela: “Como assim?” Desprovido de qualquer vergonha na cara, você arremata: “A gente se beija e, depois, nos apresentamos…”

 

Parênteses

 

(Com um litro de uísque na cabeça, numa boate subterrânea de um camarote em plena micareta, não havia nada muito inteligente para dizer, mas você se superou.)

Ela se vira e diz: “Desculpa, mas eu sou casada”.

Você pára e pensa consigo mesmo numa fração de milésimos de segundo: Deus só pode ta brincando, no meio dessa multidão, eu achei a única mulher casada…

Meio desnorteado, você perambula pelo camarote, agora decidido a pegar qualquer uma, eis que “o primeiro gol é sempre um tiro de longe”. Aquele ditado começava a fazer sentido.

Para ter sucesso nessa empreitada, você se dirige ao bar e pede mais uma dose. Cabeça baixa, abalado por não ter beijado a única mulher dali que não era uma descabelada suada, você pega sua dose e, ao se virar para voltar a sua turma, dá de cara com ela que, sem titubear, atira: “Eu não posso ser vista aqui com você”.

Procurando disfarçar o susto, você responde, sem muita explicação: “Fique ali, perto da saída da boate, que eu volto já…”

Sua meta agora é achar Dino, aliás, pegar o carro dele emprestado, afinal de contas, ir de táxi pro motel é coisa de gringo e puta, e você não é gringo.

Apesar de não concordar com nada disso, Deus, que é pai, ajuda e você encontra Dino rapidamente. Suas palavras são diretas: “Me dá a chave do carro, que eu vou sair com uma nega.” Com um ar de intriga, ele pergunta: “Vai pra onde?” Já sem paciência, você responde: “Vou dormir, amanhã cedinho tem Globo rural e eu quero ver uma matéria sobre piranha. Me dá essa porra!”. Bêbado, não entendendo direito a ironia, ele entrega a chave e, somente depois, se recorda que você não levou a carteira de motorista…

Na saída, você diz no ouvido dela: “Dê três minutos e doze segundos e saia, contorne o camarote e vá andando, eu lhe abordo.” Você diz isso com jeito de agente secreto e parte.

Ansioso, você passa no bar, pegas duas doses, e sai do camarote para esperar sua amada na esquina seguinte. Ela passa, você a chama, entrega a dose dela e entram no carro.

Antes de ligar o carro, começam os beijos, que progridem para os alisados, apertos e afins. Ela se revela uma pequena ninfo, face às carícias prematuras naquele local. Excelente.

Você liga o carro, o ar condicionado, o som. Ela não para de lhe beijar, lamber, a impressão é que você pegou um lagarto, de Viagra.

Copos colocados no suporte, você precisa achar um local para colocar aquela dinheirama toda. Ela, vendo a quantidade de dinheiro que sai do seu bolso, sem se ater ao valor das notas, pensa: “É mega sena, pai”.

Na pressa, você joga o dinheiro todo, estilo Silvio Santos, em cima do painel. Antes de sair, enquanto ela o beija incessantemente, você coloca a mão embaixo do banco e comemora. É Carnatal, não havia possibilidade de seu inestimável amigo Dino não ter consigo uma lança perfume.

Você dá partida, toma um porre de lança, dá um gole de uísque, devolve o copo pro suporte, dá um beijo nela, que, apressadinha, promove carícias nas regiões centro meridionais.

Você, facilitando a vida dela, abaixa as calças, permitindo-a um acesso mais livre ao seu objetivo. Mais um porre, gole no uísque, olhos virando, dedos do pé se contorcendo, curva à direita, curva à esquerda e pimba! Você dá de cara, pela contramão, com uma blitz, quase atropelando o guarda da lanterna.

Com som alto e uísque na cabeça, ela sequer nota a tragédia, persistindo no seu árduo trabalho de sopro. Ainda lesado do último porre, só lhe restam forças e discernimento para encostar o carro, o que faz com muito esforço e pouca técnica.

Simultaneamente, o guarda bate no vidro e ela suspende os trabalhos, levantando a cabeça com ar de susto, limpando discretamente os cantos da boca.

“Documento do veículo e habilitação”, pede o guarda. Antes de adotar qualquer medida, você enfia a mão no porta luvas e, não achando o documento, recorda-se que não está com a habilitação.

Observando o panorama, o guarda relata: “Veja bem, meu amigo, o senhor está nu, com uma lança perfume na mão, praticando atos libidinosos, bêbado e na contramão, o que eu faço com você?”

Situações extremas requerem… sinceridade, e você começa: “Seu guarda, pensei em tudo que podia dizer pro senhor nesse momento, mas vi que a melhor saída seria a verdade, como sempre. Então, aqui vai… EEEEu não sou daqui, eeeeeesse carro não é meu, éééééssa mulher não é minha, muito menos a lança…” Buscando um resultado prático, o guarda, interrompendo o discurso, indaga: “E esse dinheiro espalhado pelo carro?” Com ar de desespero, você responde: “Esse? Unxe, é todo do senhor! TODINHO!” Se vira pra ela e diz: “Amor, junta aí tudo… ah… você vai pagar o motel”.

Top Blog

Arquivado em: Teorias — Chico Freitas @ 01:31

Só lembrando que estamos participando do prêmio top blog!

Para votar é só clicar no banner do lado direito e seguir as instruções!

Beijo para elas!

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